segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Crítica: HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE - PARTE 1

O diretor David Yates foi o que deu mais certo na franquia HP, ele dirigiu os três últimos filmes. É fato que ele foi o mais talentoso e colocou Harry Potter num patamar de filmes mais maduros, sem burocracias. Entretanto, ele vem numa tendência de contar bem uma história... tão bem que as cenas perdem muito movimento, o que teria ajudado a render melhor o sexto filme, “O Enigma do Príncipe”. Porém, a 7ª parte é diferente. Preocupado em não decepcionar os fãs, ele fez um filme muito bem contado, fiel ao original, e dramaticamente inovador. É a produção mais séria da saga, e promete deixar o melhor para a segunda parte. Em geral, em qualquer história, cenas de ação são no final, e não é diferente. AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 1 corresponde a 60% do livro, e introduziu muito bem o prelúdio para um final realmente épico.

O humor adolescente está muito soprado neste filme. É importante que seja um filme pra se levar a sério. Mas em meio ao caos em volta de Harry e os personagens a sua volta, vira e mexe temos cenas graciosas. Pincelando pra não soltar muito, destaco um beijo entre Harry e Herminone... pelados? Outro beijo entre Harry e sua namorada e uma animação sobre a real história das relíquias da morte que encanta as platéias. A direção de Yates é muito profissional, ele trabalha muito bem com a câmera e a fotografia é incrível, a direção de arte foi sutil e impecável. Teremos uma PARTE 2 cheia de ação, mas enquanto isso vale a pena conferir o longa da saga com mais levada Cult, o mais silencioso e sutil. Deu pra compensar o insosso 6° filme e dar uma aliviada na tensão de uma Hogwarts oculta no filme. Um presente que agradará, na maioria, apenas os fãs. [por Rodolfo Domingos]


DVD&BLU-RAY: 2001 - Uma Odisseia No Espaço

O Lendário diretor Stanley Kubrick fez, sem dúvida, 3 dos filmes mais aclamados de todos os tempos. “2001 – Uma Odisséia no espaço” é considerado um dos melhores filmes do século. E eu, mesmo não tendo assistido todos os filmes dos últimos 100 anos, consigo dizer de boca cheia o quanto esse filme me impressionou. Pra começar, um dos motivos que fazem deste um dos melhores clássicos da história do cinema, é a luxuosa produção. Os efeitos não são apenas bons pra 1968, são ótimos até mesmo pra hoje. Há muito realismo nas cenas fora das naves.

Outro ponto máximo do filme é o roteiro introspectivo, porém profundo, existencialista e intrigante. O fato de vermos um supercomputador como o grande vilão é algo aflitivo e muito atual. A visão de Kubrick condiz muito com a vida moderna em nossos dias. O roteiro saiu tão inteligentemente impecável que mesmo na falta de diálogos – a maior parte do filme – grandes mensagens são passadas. Kubrick teve a brilhante idéia de substituir a falta de som que há no espaço (cientificamente provado) por uma trilha sonora colossal. A fusão de música e imagem torna “2001” um filme Kubrick foi capaz de fazer. Um filme único e, sem sombras de dúvida, a melhor e maior ficção científica já produzida.


Pra finalizar, acredito que nem todos tenham gostado do longa pela falta de objetividade. Nos últimos 20 minutos das 2 horas e 20 de duração total, o longa se permite convidar os espectadores a interpretar os fatos como quiserem. O monolito, a explosão de cores, as visões das várias fazes da vida do protagonista num lugar totalmente estranho e aparentemente fora de contexto, até, no final, a visão de um bebê numa situação complexa.


Enquanto cinema, achei uma obra muito original. O filme tem mais de 2 minutos de música insana numa tela preta no começo, no meio e, pros mais atenciosos, no final, depois dos créditos. Edição brilhante e criativa.


Não vou influenciar a sua opinião. Quem não viu, deve assistir. Alguns de curiosos, outros porque se interessam pelo melhor do cinema. Vou deixar pra você assistir e interpretar, não vou expor aqui minha visão da trama. [por Rodolfo Domingos]


DVD&BLU-RAY: Quero Ser John Malkovich

O diretor Spike Jonze, responsável pelo recentemente elogiado “Onde Vivem Os monstros”, Coloca nesse filme um apanhado de ideias loucas, mas que soaram muito bem. Porque motivo alguém poderia entrar num túnel que leva à mente de alguém e porque teve de ser John Malkovich? Ideias difíceis de engolir, personagens ainda mais excêntricos. Ora intrigante, ora hilário, esse filme foi uma surpresa pra mim. É um Cult bem alternativo, de um senso crítico sem alienações. Cameron Diaz, John Malkovich e Joan Cusack formam um trio sensacional e ajudam a criar, e muito bem, uma trama muito surpreendente e ácida. Se por um lado a idéia por trás da trama é teoricamente impossível, as reações e conseqüências para possíveis acontecimentos estão bem “pés no chão”, tratando um pouco de loucura e abismos, com um tom dramático bem trabalhado. [por Rodolfo Domingos]

DVD&BLU-RAY: Ameaça Terrorista

Um thriller de ação quase sem importância, lançado diretamente em home vídeo aqui no Brasil. Samuel L. Jackson num papel exagerado e metido a besta sem necessidade, coadjuvado por atores que mal se destacam dramaticamente. A trama é clichê, as personagens mais ainda, mas sempre há uma possibilidade de inovação ou mesmo de um esquema seguro, mas o desenrolo do filme é repetitivo e sem a tonalidade dramática necessária. Não passa de uma repetição de torturas que não impressionam, principalmente ao público acostumado ao suspense Jogos Mortais, e diálogos tolamente forçados e inserções de temas atuais, como o terrorismo. Basta. [por Rodolfo Domingos]

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DVD&BLU-RAY: Dúvida

No Oscar de 2009, esse foi, sem dúvida, o filme mais badalado nas categorias de interpretação. Indicado para Ator/atriz/Ator coadjuvante/atriz coadjuvante, dúvida para nisso. Baseado numa peça de teatro e adaptado pelo próprio diretor da peça, "Doubt" acaba caindo na linha teatral. Não é uma coisa clichê, mas tudo é bom porque tem muito texto que exige muito dos intérpretes. O grande problema nisso tudo é que não satisfaz o espectador, falta um ápice, falta emoção, falta boa trilha pra dá "aquela" acabada na produção. É um filme de ator para ator. Até pelo tom polêmico anunciado, o espectador espera um pouco mais de veneno naquele que deveria ser o vilão, o personagem de Philip Seymour Hoffman. Pelo menos o brilho do filme se dá por causa de grandes talentos da nossa geração: Viola Davis (indicada a atriz coadjuvante, mesmo sua participação sendo bem curta), Amy Adams (indicada a coadjuvante, também), Philip Seymour Hoffman (indicado a Melhor ator) e a imponente Meryl Streep, que é a malhor coisa do filme.

DVD&BLU-RAY: Caçador de Recompensas

Jennifer Aniston e Gerard Butler, um dos casais do momento, formam uma bela dupla numa comédia que, graças a Deus, não é uma comédia romântica. Aliás, tive uma grata surpresa nesse filme. É ágil e muito engraçado. Toda a trama é muito bem contada e divide seus ápices primorosamente. Os textos de comédia estão bem montados e não deixam o espectador cochilar, mesmo também por causa das boas cenas de ação, sem exagero. É visível que os poucos momentos de romance da história não são provocadas burocraticamente. A não ser pelo final, que qualquer espectador espera algo mais original e interessante. A comédia mais engraçada depois de Se Beber Não case. [por Rodolfo Domingos]

DVD&BLU-RAY: Em Algum Lugar do Passado

Quem não se lembra da canastrice que foi "A Casa do Lago"? Então, temos aqui um bom exemplar de romances tecnicamente impossíveis. A diferença entre os dois? EMOÇÃO. "Somewere in Time" conta uma história que não se explica dentro de uma lógica, mas, junto a uma das mais belas trilhas sonoras já feitas pra um filme, vem carregado de muita emoção. Apesar de utópica, o espectador vibra por um final feliz que, aparentemente não acontecerá. O protagonista do longa é Christopher Reeves, o galã que imortalizou a verão pra cinema do Super Homem. Ele é bom e se entrega ao personagem que não poderia ser mais piegas. Mas a volta no tempo cheia de frescor e nostalgia ao início do século é o grande charme do filme. O modo misterioso na forma como a primeira cena foi filmada dá um belo convite ao espectador, que, de cara foca intrigado. Não haverá quem não será tocado por Em Algum Lugar do Passado.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Crítica: ATIVIDADE PARANORMAL 2

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES ANTES DE VOCÊ LER A MINHA OPINIÃO SOBRE ESSE FILME: 1: Eu não assisti o primeiro filme; 2: tecnicamente fui forçado a ver esse filme, mas garanto que isso não interferiu no texto a baixo.


A seqüência do inesperado sucesso de 2009, Atividade Paranormal 2 traz um novo conceito de contar histórias assustadoras. Quem assistiu “Cloverfield – Monstro” sabe do que eu estou falando. Modo INconvencional de filmagem e tudo é montado para dar a sensação mais próxima de que aquilo foi real. No caso deste longa, temos uma trama que antecede a do primeiro filme, entrelaçando-se com o começo da primeira história mais pro final do filme. Temos cenas de susto? Poucas. Alguma grande cena? Apenas uma. Quando é isso? Depois de uma longa espera de cenas repetitivas e a sensação de que o grande momento nunca chegará. A idéia por trás desse filme é interessante, mas eu esperava bem mais. O espectador com certeza se decepciona com 80% do longa, mas alguns vão se arrepiar com o final, que, além de deixar bem claro que teremos uma continuação, surpreende a todos. A falta de emoção e uma precariedade intencional de trilha sonora tentam deixar os espectadores aflitos, porém a aflição se perde com certo tédio. [por Rodolfo Domingos]


DVD&BLU-RAY: Os Homens que Encaravam Cabras

A construção alternativa desta história o torna uma comédia Cult de situações bizarras. É difícil levar seus personagens a sério, mas o bom disso tudo é que temos aqui grandes atuações de George Clooney, Kevin Spacey e Jeff Bridges. Pros espectadores à procura de uma experiência diferente e estão abertos a novas perspectivas de cinema, um grande filme. Mas devo acrescentar que não é um filme comum e, aqueles que não estão preparados para o conceito novo e relativamente absurdo, não assistam. O humor difícil e o roteiro leve e refrescante faz “The men Who stare at goats” valer a pena de ser conferido, mesmo que por poucos. [por Rodolfo Domingos]

DVD&BLU-RAY: Bonequinha de Luxo

O encantador “A Breakfast at Tiffany” é um filme muito digno. Eu posso comentar de vários pontos que contribuem para o sucesso do filme, a começar pela ilustríssima presença de Audrey Hepburn no papel principal, como a meiga, porém interesseira Holly. Ela já chega grande, com sua presença marcante e beleza de tirar o fôlego. Ela já havia provado talento exímio em “A Princesa e o Plebeu”, que lhe rendeu o Oscar de melhor atriz, e se esbalda em ‘Bonequinha’ como se estivesse em casa.
O filme é muito bem editado, bem acabado e tem um roteiro cativante. As cenas exibem pura beleza e luxo. Não há nada de complexo e intelectual, mas é muito bom ver que, em plena era de ouro, exatamente em 1961, esse filme antecipou a tendência moderna e jovial dos filmes atuais. Inclusive ele se encaixa num gênero escasso na época, mas muito banalizado hoje: a comédia romântica. É divertido, emocionante e funciona muito bem, rende brilhantemente pra um filme de duas horas. E, apesar de o galã da história ter um papel importante pro rumo do filme, está sempre na sombra de Hepburn que se tornou a grande heroína da trama. Isso se deve ao fato de que, diferente das comédias românticas de hoje, Holly tem um perfil revolucionário e incomum, e não a santinha mulher comportada. [por Rodolfo Domingos]

domingo, 7 de novembro de 2010

DVD&BLU-RAY: As Horas

Esse filme poderia ser só mais uma biografia. Mas graças à ousadia do diretor Stephen Daldry, “As Horas” acontece revolucionariamente. A história acontece em três tempos diferentes, na primeira metade do século, contando a vida triste e doentia da escritora Virgínia Woolf, alguns anos depois da morte de Virgínia, passando pela vida de uma dona de casa deprimida que está lendo o principal romance da autora, e o ano de 2001, na dura saga de uma mulher lésbica que tem uma vida muito parecida com a personagem principal do romance.

Todas as três personagens, interpretadas por Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, estão primorosamente interpretadas. Ninguém rouba a cena uma da outra, as três cabem na história como se tivessem nascido pra isso e mais ninguém pudesse cumprir essa tarefa. Passando pros lados técnicos, eu até que gostaria de falar mais sobre o roteiro, mas imaginando que você, leitor, terá vontade de assistir a esse filme, só posso dizer que não se deve julgar especialmente esse filme pela capa. Não é mais uma história sentimental sobre mulheres que tiveram uma vida difícil. É um roteiro super bem escrito, sério, e, principalmente – e isso sem nenhuma reserva – surpreendente. Minha língua coça pra contar, mas aí você não se surpreenderia tanto. É um filme intensamente belo, de cena após cena de grandiosidade cinematográfica pra ninguém pôr defeito. É um filme de alma e coração. O diretor não perdeu uma oportunidade de riqueza e maestria. Pela primeira vez tive o prazer de assistir a ousadia de um drama sentimental, mas sem puritanismo. [por Rodolfo Domingos]


Esse filme poderia ser só mais uma biografia. Mas graças à ousadia do diretor Stephen Daldry, “As Horas” acontece revolucionariamente. A história acontece em três tempos diferentes, na primeira metade do século, contando a vida triste e doentia da escritora Virgínia Woolf, alguns anos depois da morte de Virgínia, passando pela vida de uma dona de casa deprimida que está lendo o principal romance da autora, e o ano de 2001, na dura saga de uma mulher lésbica que tem uma vida muito parecida com a personagem principal do romance.

Todas as três personagens, interpretadas por Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, estão primorosamente interpretadas. Ninguém rouba a cena uma da outra, as três cabem na história como se tivessem nascido pra isso e mais ninguém pudesse cumprir essa tarefa. Passando pros lados técnicos, eu até que gostaria de falar mais sobre o roteiro, mas imaginando que você, leitor, terá vontade de assistir a esse filme, só posso dizer que não se deve julgar especialmente esse filme pela capa. Não é mais uma história sentimental sobre mulheres que tiveram uma vida difícil. É um roteiro super bem escrito, sério, e, principalmente – e isso sem nenhuma reserva – surpreendente. Minha língua coça pra contar, mas aí você não se surpreenderia tanto. É um filme intensamente belo, de cena após cena de grandiosidade cinematográfica pra ninguém pôr defeito. É um filme de alma e coração. O diretor não perdeu uma oportunidade de riqueza e maestria. Pela primeira vez tive o prazer de assistir a ousadia de um drama sentimental, mas sem puritanismo. [por Rodolfo Domingos]

DVD&BLU-RAY: Número 23

Eu não tenho muito a dizer sobre o diretor, Joel Shumacher. Falta nele estilo e força. Falta principalmente uma marca. O que mais poderia chamar atenção nesse filme além do fato de podermos ver Jim Carrey num personagem totalmente fora do contexto da sua carreira? Pra começar, foi um desperdício. Analisando a evolução dramática do personagem, concluímos que qualquer outro ator poderia estar no lugar de Carrey. Aliás, é uma premissa cheia de potencial. A história até me surpreendeu um pouco, mas ainda preciso aprender mais em suspense. Mas talvez esse filme seja apenas uma pincelada na arte de contar história paranóicas. Em nenhum momento eu me assustei ou vibrei por algo a mais. A idéia, agrada, mas chega a ser infantil perto de filmes como “O Iluminado”. A intenção em “números que dizem algo” não impressiona nem dá ecos no pós-filme. Mas, podemos perceber, pelo desfecho de tudo, que há um bom escritor por trás disso. Dentro da história, que só pra constar é muito forçada no início, tudo começa com um livro. Com um pouco de censo, tudo teria ficado apenas nas páginas de um bom livro de suspense. [por Rodolfo Domingos]

DVD&BLU-RAY: O Corajoso Ratinho Despereaux

Essa animação é o típico filme que desce redondo. É uma premissa que vem na linha de “Ratatouille”, da Pixar, mas produzindo numa potencial produtora de animação, a Universal. Os personagens são carismáticos, a ambientação é clássica, bem no ideal dos fãs de “Shrek” e animações da era 2-D. Mas no meio de tantos detalhes que o colocam no patamar de mais um bom filme familiar, eu consegui enxergar uma interessante diferença desse longa para com as outras produções do gênero: é tudo no sentimental. O filme ganha a simpatia do espectador num drama de uma cidade que empobrece e, em momento algum, apela pra piadas previsíveis dos filmes infantis. Talvez isso atrapalhe momentos em deveria prevalecer o espírito de aventura, de heroísmo, mas já vale a idéia, que pode ser sempre aprimorada, assim como sua técnica em animação. [por Rodolfo Domingos]