domingo, 7 de novembro de 2010

Esse filme poderia ser só mais uma biografia. Mas graças à ousadia do diretor Stephen Daldry, “As Horas” acontece revolucionariamente. A história acontece em três tempos diferentes, na primeira metade do século, contando a vida triste e doentia da escritora Virgínia Woolf, alguns anos depois da morte de Virgínia, passando pela vida de uma dona de casa deprimida que está lendo o principal romance da autora, e o ano de 2001, na dura saga de uma mulher lésbica que tem uma vida muito parecida com a personagem principal do romance.

Todas as três personagens, interpretadas por Nicole Kidman, Julianne Moore e Meryl Streep, estão primorosamente interpretadas. Ninguém rouba a cena uma da outra, as três cabem na história como se tivessem nascido pra isso e mais ninguém pudesse cumprir essa tarefa. Passando pros lados técnicos, eu até que gostaria de falar mais sobre o roteiro, mas imaginando que você, leitor, terá vontade de assistir a esse filme, só posso dizer que não se deve julgar especialmente esse filme pela capa. Não é mais uma história sentimental sobre mulheres que tiveram uma vida difícil. É um roteiro super bem escrito, sério, e, principalmente – e isso sem nenhuma reserva – surpreendente. Minha língua coça pra contar, mas aí você não se surpreenderia tanto. É um filme intensamente belo, de cena após cena de grandiosidade cinematográfica pra ninguém pôr defeito. É um filme de alma e coração. O diretor não perdeu uma oportunidade de riqueza e maestria. Pela primeira vez tive o prazer de assistir a ousadia de um drama sentimental, mas sem puritanismo. [por Rodolfo Domingos]

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