sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

As Crônicas de Nárnia - A Viagem do Peregrino da Alvorada


Achei lamentável a falta de consideração com uma obra inigualável o que foi feito no terceiro filme dessa série, que apesar do sucesso mais modesto, tinha grandeza, beleza e mais magia que Harry Potter.

Eu passei o ano inteiro aguardando que esse filme fosse me surpreender, fosse ter a força de expressão encontrada no livro, mas Michael Apted e os roteiristas serão eternamente responsáveis se esse filme virar o último da saga.

A direção está visivelmente apressada, a trama foi enxugada ao máximo e algumas coisas não foram levadas a sério como deveriam. E ainda por cima inventaram uma fumaça verde patética. Não foi dada a essa série a oportunidade de crescer, não houve evolução. Ecoa como só mais uma desculpa para um filme infantil.

O filme tem detalhes interessantes que dão um gás novo pra série, com destaque para a excelente aparição da personagem Susana Pevensie. Mas é tudo tão apressado e mal explicado que perde a graça. Quem leu o livro sabe que “VPA” é uma história para ser contada com calma, algo que exigiria prazerosas 3 horas de duração nas telas.

Pelo menos houve um esforço para criar um visual condizente com a magia de Nárnia. É tudo tão bonito, mas parece não passar de teoria, ou uma sessão exibida pela rede globo, com cortes brutos. Fora que dá pra sentir a mudança de diretor. Apted não foi íntimo da série e tem a cara de pau de ser pessimista quanto ao futuro desses filmes. Ele vem e dirige um filme todo tremido, com ângulos horrorosos, muda a perspectiva calculista e cheia de maestria de Andrew Adamsom e ainda quer ter essa audácia. É ridículo.

Quebra o ritmo, quebra o ânimo, e deixa o público desapontado. Poderia ter sido mais catástrofe, mas foi o pior rombo que a série poderia ter sofrido.


[por Rodolfo domingos]

sábado, 11 de dezembro de 2010

Ilha do Medo

Bem diferente do seu filme anterior (Os Infiltrados, vencedor do Oscar de Melhor filme), ILHA DO MEDO tem um sabor diferente. É algo mais na linha do psicológico, como um filme que Kubrick teria gostado de dirigir.
A trama de suspense rende bem, mas eu senti uma espécie de frieza no roteiro. Aponto, de primeira, a interpretação de Leonardo DiCaprio, que, mesmo que sua personagem exija tal coisa, me passa a mesma imagem em todos os filmes que protagoniza. Se ele foi ótimo no grandioso “Os Infiltrados”, aqui ele não cativa o público.
É um dos grandes filmes desse ano, mas difícil de digerir. Se falta emoção na trama, pelo menos Scorsese caprichou na parte visual. A fotografia desse filme é uma das mais impressionantes dos últimos tempos e a direção de arte foi presença marcante, precisa.


Eu ouvi de um crítico, em quem confio muito, que o final foi um pouco previsível. Eu tenho de discordar e dizer que tudo que antecede o final é que é o clichê, com um final mais chocante e filosófico.



Muitos dizem que é um dos dez que serão indicados a melhor filme pro Oscar 2011. Eu ainda tenho as minhas dúvidas, mas acho que é um filme que vale conferir. Você pode até não gostar do filme, mas só não pode deixar de reconhecer que Martin Scorsese é um cara de direção precisa e delicada, e dá pra ver essa marca em “Shutter Island”.
[por Rodolfo Domingos]

Sex and the City 2

Caros leitores, antes de começar a escrever sobre esta seqüência, deixo bem claro meu erro como crítico de não ter assistido o primeiro filme, portanto não farei comparações (coisas que eu, particularmente, acho uma mania chata; gosto de julgar cada filme por si só).


Elas são glamorosas e extravagantes, mas chegaram à fase madura da vida e têm de reconhecer isso. Graças aos bons roteiristas do longa isso não foi motivo para render um filme sobre amadurecer em meio às idas e vindas da vida adulta, mas há um forte elemento em meio a tudo isso: Elas sabem se divertir. E é com isso que elas cativam o público.



As situações do filme mostram o fôlego que a série ainda tem. São momentos divertidíssimos e contemporâneos, trilha sonora moderna e alto astral e um visual que beira o carnavalesco – no bom sentido. Falo de um filme colorido, rico em moda. É um exemplar que deveria servir de exemplo para as futuras produções de comédias românticas.


Mesmo com sua longa duração – 2h20min – “sex and the city” tem coesão, em excesso nem falta, é um filme de bom ritmo e trama bem acabada. É diversão feminina da melhor qualidade!


[por Rodolfo Domingos]

A Primeira Noite de um Homem

Esse clássico setentista das comédias românticas não vem pra tratar de assuntos puros e piegas, mas da ousada relação entre rapaz recém formado com uma mulher estonteante, porém mais velha e casada.


As personagens estão muito bem colocadas e, mesmo pros jovens espectadores – principalmente se forem jovens entre 20 e 30 anos – a idéia do filme leva-nos a refletir o quanto pode ser conturbada a juventude. Os diálogos são bem explorados e irreverentes, tomando um tom mais Woody Allen perto do final da fita. A levada alto astral do rock’n’roll Cult deixa o filme emocionante e jovial, e conseguem deixar o espectador bem à vontade. É um filme tranqüilo, muito bem escrito e primorosamente dirigido.




É interessante também saber um detalhe de making of: assim como o roteiro é uma história com quebras de tabu e suas conseqüências, esse filme foi o primeiro longa a ter uma trilha de rock, tornando esse trabalho um marco nesse aspecto. A canção “Mrs. Robinson” é ótima e cai muito bem pra personagem de Dustin Hoffman.




É um filme de uma irreverência jovial muito charmosa!


[por Rodolfo Domingos]

Mãos Talentosas - A história de Ben Carson

O ator Cuba Gooding Jr., cujo único grande papel foi em “Homens de Honra”, vem com um drama leve e familiar.

















A história real de um médico excepcional conseguiu deixar o ator à vontade em seu papel, mas o filme é extremamente econômico em sua forma de contar a história. Temos aqui cenas que parecem apressadas dentro do roteiro e uma falta excessiva de detalhes que uma boa biografia precisa ter. É um longa que joga só no seguro, no arroz e feijão, mesmo em seu potencial para um filme mais interessante. As várias épocas da vida do médico Bem Carson passam como momentos comuns pra dar o recheio, e não como passagens que enriqueceriam uma trajetória.




Enfim, pelo menos eu posso dizer que não é um filme ruim. É uma pedida carinhosa para famílias cristãs, ou só famílias.


[por Rodolfo Domingos]

domingo, 5 de dezembro de 2010

Os Infiltrados

Martin Scorsese tem uma mão delicada para a direção. Há sempre olhares por vários aspectos e uma imensidão de possibilidades na montagem criativa de seus filmes. No caso de “The Departed” (vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2007) temos um filme completo, muito bem escrito e de uma linha narrativa de forte presença e personalidade. As personagens fogem dos clichês de bandidos e policiais, ou poderia ser bandido e mocinho, e se desenrolam de formas inesperadas, mas ao mesmo tempo seguras de não ser ficção demais, não ser só mais um filme de ação. A levada rock’n’roll que dá as caras também ajuda muito pra contar uma histpória séria porém relaxada, como se o próprio filme dissesse “Relaxe, isso é cinema. Foi uma obra de inspiração saborosa. Leonardo DiCaprio e Matt Damon estão muito à vontade em seus papeis, mas Mark Wahlberg é quem realmente me preocupa. Ele levou por esse filme uma indicação ao Oscar como ator coadjuvante, sendo que ele brilha pouco a parece pouco à vontade, como se não coubesse nele a personagem. “Os Infiltrados” como um filme de ação original e super alto astral mostra que é ainda há grandes talentos do gênero. E que Scorsese ainda viva muito para produzir filmes que dão o maior prazer de assistir. [por Rodolfo Domingos]

Onde Os Fracos Não Têm Vez

Os filmes dos irmãos mais promissores de Hollywood, Joel e Ethan Coen, são de pura refinação. O toque bucólico é presença marcante e seus personagens sempre andam juntos a roteiros que valorizam a complexidade e o valor de personagens e detalhes que poderiam passar despercebidos. Diálogos sóbrios, Road movie, trilha sonora contida e personagens de bravura sem heroísmo... é tudo o que “No Country for Old Men” é. Uma busca frenética e sombria por 2 milhões de dólares deixa à tona um dos grandes vilões da nossa década, interpretado por um grande talento, Javier Barden. A marca americana deixa claro que grandes histórias não dependem sempre dos efeitos especiais mais modernos, mas podem vir de um soldador, de um xerife de uma cidade pequena ou mesmo de um assassino esquisito que, assim como todo mundo, só quer o dinheiro. [por Rodolfo Domingos]

Machuca

Esse filme é de 2004, de um país que nunca foi conhecido por fazer cinema, o Chile. Foi, sem dúvida, minha primeira experiência do tipo e o resultado foi surpreendente. Há as mesmas precariedades do cinema Brasileiro, mas há uma maturidade de contar histórias de valor. Os diálogos lidam com o tom da realidade, mas ao mesmo da inocência perdida em meio a uma guerra civil e a entrada da adolescência. A produção, mesmo que barata, retratou muito bem um momento histórico e a conseqüência desses fatos na vida das pessoas, na década de 70. As cenas são ricas e o filme, num total, é muito agradável. Se você é um cinéfilo cansado dos filmes tipicamente norteamericanos da nossa década, vai gostar de conhecer esse filme que, obviamente, é falado em outro idioma, mostra outras culturas, outros momentos históricos e outras possibilidades de exploração de personagens. Outro país, outra situação, outras reviravoltas, e resultados totalmente novos. [por Rodolfo Domingos]

O Iluminado

Há mais de Stephen King do que Kubrick neste filme. Dá pra sentir as nuances da direção delicada de Stanley Kubrick, mas é um suspense que cumpre muito bem sua função e não tenta ser intelectual ou calculista ou excêntrico. O clima de suspense é intenso e recheado de uma trilha sonora insana e vertiginosa, assim como visto em “2001 – Uma Odisseia No Espaço”. É um filme de começo pouco marcante e de momentos broxantes que tiram o prazer do elemento surpresa dos suspenses. Se o roteiro fosse mais curto, não precisaríamos ver cenas que pareciam ser todas iguais e repetidamente desnecessárias. Um caso que me deixou chateado foi o descuido de termos 3 cenas de igual montagem, para o caso do menino iluminado andando de velotrol pelos corredores do hotel. Você espera algo na primeira vez e nada acontece. Na segunda vez, nada de novo. Óbvio que o espectador vai saber que em algum momento algo sombrio iria aparecer. Quanto a Jack Nicholson, apesar de seu personagem fazer parte de uma série de clichês, ele atua impecavelmente bem e é a melhor coisa do filme. Mas se a primeira metade do longa deixa a desejar, a segunda é intensa e deixa o espectador aflito. Infelizmente também há repetições de cenas, mas a intensa caçada dá ao filme uma grande sequência que o torna um suspense de alto cacife. [por Rodolfo Domingos]