
Achei lamentável a falta de consideração com uma obra inigualável o que foi feito no terceiro filme dessa série, que apesar do sucesso mais modesto, tinha grandeza, beleza e mais magia que Harry Potter.
Eu passei o ano inteiro aguardando que esse filme fosse me surpreender, fosse ter a força de expressão encontrada no livro, mas Michael Apted e os roteiristas serão eternamente responsáveis se esse filme virar o último da saga.
A direção está visivelmente apressada, a trama foi enxugada ao máximo e algumas coisas não foram levadas a sério como deveriam. E ainda por cima inventaram uma fumaça verde patética. Não foi dada a essa série a oportunidade de crescer, não houve evolução. Ecoa como só mais uma desculpa para um filme infantil.
O filme tem detalhes interessantes que dão um gás novo pra série, com destaque para a excelente aparição da personagem Susana Pevensie. Mas é tudo tão apressado e mal explicado que perde a graça. Quem leu o livro sabe que “VPA” é uma história para ser contada com calma, algo que exigiria prazerosas 3 horas de duração nas telas.
Pelo menos houve um esforço para criar um visual condizente com a magia de Nárnia. É tudo tão bonito, mas parece não passar de teoria, ou uma sessão exibida pela rede globo, com cortes brutos. Fora que dá pra sentir a mudança de diretor. Apted não foi íntimo da série e tem a cara de pau de ser pessimista quanto ao futuro desses filmes. Ele vem e dirige um filme todo tremido, com ângulos horrorosos, muda a perspectiva calculista e cheia de maestria de Andrew Adamsom e ainda quer ter essa audácia. É ridículo.
Quebra o ritmo, quebra o ânimo, e deixa o público desapontado. Poderia ter sido mais catástrofe, mas foi o pior rombo que a série poderia ter sofrido.
[por Rodolfo domingos]















Martin Scorsese tem uma mão delicada para a direção. Há sempre olhares por vários aspectos e uma imensidão de possibilidades na montagem criativa de seus filmes. No caso de “The Departed” (vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2007) temos um filme completo, muito bem escrito e de uma linha narrativa de forte presença e personalidade. As personagens fogem dos clichês de bandidos e policiais, ou poderia ser bandido e mocinho, e se desenrolam de formas inesperadas, mas ao mesmo tempo seguras de não ser ficção demais, não ser só mais um filme de ação. A levada rock’n’roll que dá as caras também ajuda muito pra contar uma histpória séria porém relaxada, como se o próprio filme dissesse “Relaxe, isso é cinema. Foi uma obra de inspiração saborosa. Leonardo DiCaprio e Matt Damon estão muito à vontade em seus papeis, mas Mark Wahlberg é quem realmente me preocupa. Ele levou por esse filme uma indicação ao Oscar como ator coadjuvante, sendo que ele brilha pouco a parece pouco à vontade, como se não coubesse nele a personagem. “Os Infiltrados” como um filme de ação original e super alto astral mostra que é ainda há grandes talentos do gênero. E que Scorsese ainda viva muito para produzir filmes que dão o maior prazer de assistir. [por Rodolfo Domingos]
Esse filme é de 2004, de um país que nunca foi conhecido por fazer cinema, o Chile. Foi, sem dúvida, minha primeira experiência do tipo e o resultado foi surpreendente. Há as mesmas precariedades do cinema Brasileiro, mas há uma maturidade de contar histórias de valor. Os diálogos lidam com o tom da realidade, mas ao mesmo da inocência perdida em meio a uma guerra civil e a entrada da adolescência. A produção, mesmo que barata, retratou muito bem um momento histórico e a conseqüência desses fatos na vida das pessoas, na década de 70. As cenas são ricas e o filme, num total, é muito agradável. Se você é um cinéfilo cansado dos filmes tipicamente norteamericanos da nossa década, vai gostar de conhecer esse filme que, obviamente, é falado em outro idioma, mostra outras culturas, outros momentos históricos e outras possibilidades de exploração de personagens. Outro país, outra situação, outras reviravoltas, e resultados totalmente novos. [por Rodolfo Domingos]