Existem diretores tão bem preparados para grandes histórias que seus filmes marcam presença na história da arte. Um deles, e também o mais conhecido, é Steven Spielberg, que carrega um fardo chato da não compreensão de sua originalidade, voltada muitas vezes para filmes que se tornaram blockbusters, quase manchando a credibilidade que ele viria a ter com filmes dramáticos.“A Lista de Schindler” é a obra mais completa e madura. Ele conseguiu fugir de todos os clichês de dramas de guerra existentes, sendo até mesmo poético no roteiro, bem costurado e marcante. Marcante principalmente pelo clássico momento em que Schindler (Liam Neeson) percebe um vestido vermelho de uma criança correndo no caos. O destaque se dá principalmente pelo domínio da fotografia em preto e branco, inteligentemente utilizada. O outro momento em que ele volta a ver o vestido vermelho é talvez a cena mais comovente do filme, que, pra minha surpresa, deixa a emoção ser digerida pelo espectador, em vez de ser enfeitada e jogada forçadamente, como em “O Resgate do Soldado Ryan”, filme de guerra de Spielberg pós ‘Schindler’ que explora seu lado entertainer.
Depois de assistir “A Lista de Schindler”, além de naturalmente comovido, tive a feliz impressão de ter estado em uma aula de cinema magistral!
[por Rodolfo Domingos]
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