sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

127 Horas

O diretor Danny Boyle fez, sem dúvida, uma das maiores surpresas dos 10 indicados a melhor filme esse ano, no Oscar. Não que o filme esteja como favorito em alguma de suas 6 indicações, mas o domínio da técnica da montagem de um filme o tornam um filme mais interessante do que parece.

Mais uma história real, é sobre um rapaz que, explorando as áreas desertas dos Estados Unidos, acaba com o braço preso a uma pedra. Daí ele ter ficado as 127 horas no local, sem nenhum contato com a civilização.


A trama praticamente diz: serei um filme monótono e chato. Mas a grande surpresa é que o roteiro aproveita muito bem o monólogo, sem fugir de tal, intercalando com um texto divertido e uma edição POP, alto astral e criativa.


O filme é bem enxuto agradável, completado por uma atuação de James Franco que lhe dá espaço suficiente para mostrar seu talento, que existe de fato. [por Rodolfo Domingos]

O Vencedor

Indicado ao Oscar de melhor filme, mas tendo mesmo seu forte nas categorias de interpretação, THE FIGHTER enfrentou sérios problemas de produção, mas acabou tendo seu retorno. O filme é produto da insistência do ator Mark Whalberg, que abraçou a produção quando ninguém mais acreditava.

Ele mesmo protagoniza, na pele de um lutador de Box de família humilde, cujo irmão (Christian Bale) teve sua chance no mesmo esporte, mas se perdeu em drogas. Agora, treinado pelo irmão, Mick (Whalberg) terá de escolher entre a força da família e a tentação de uma carreira mais bem remunerada.

O filme, num todo, é bom e fácil. Wahlberg leva o personagem principal em bons fluidos, mas quem realmente brilha no filme é o drogado irmão de Mick, vivido por Christian Bale, que cumpre seu papel meticulosamente, brilhantemente. Visivelmente ele se preparou por um tempo, num esforço que o coloca como um dos favoritos em Ator Coadjuvante


Do outro lado temos também duas indicadas a atriz coadjuvante, Amy Adams e Melissa Leo. Melissa e Amy não têm exatamente todo esse destaque pra trama no geral como dá a entender, mas estão bem calculadas em seus papéis.


Mas a previsibilidade do longa é um ponto a se discutir, já que se trata de uma história real. Tudo é muito fácil e os dramas da trama são explorados com cautela excessiva. Tanto que há muitos momentos possíveis de arrancar risadas do público. Um dos indicados mais fracos desse ano, mas, convenhamos, histórias de superação são o arroz e o feijão do Oscar. [por Rodolfo Domingos]

Inverno da Alma

Lançado no cinema independente, esse drama forte e sem coração mostra uma dura realidade totalmente principalmente de nós, brasileiros: a pobreza na América do Norte, mas precisamente nos EUA.

Pobre, com a mãe doente e mais dois irmãos mais novos pra cuidar, Jennifer Lawrence é a garota que vai procurar o pai, um criminoso desaparecido que colocou a casa e o terreno da família como a fiança da prisão. Mas, procurar o pai no meio de mais gente “Barra Pesada” não vai ser nada fácil.


O clima do filme é frio e duro, como título já diz, um verdadeiro inverno. Jennifer Lawrence, novata em Hollywood, está indicada a melhor atriz por esse papel, que é ótimo e está a milhas de distância da adolescência como costumamos ver.


O roteiro é bem escrito, cruel e visceral, sem prolongamentos em dramas muito melosos, uma coisa meio melancólica paira sobre o filme. Merecida a indicação a melhor filme, mas vai acabar mesmo como o filme que revelou Jennifer. [por Rodolfo Domingos]

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Minhas Mães e Meu Pai

“The Kids Are All Right” provavelmente não será o vencedor do prêmio de melhor filme no Oscar de 2011, mas, sem dúvida, é um dos filmes com mais importância contextual dos dez indicados.

Trata-se de um casal lésbico com dois filhos adolescentes gerados por inseminação artificial que decidem conhecer o doador, ou seja, o pai. Logo Paul, o doador, se vê inesperadamente dentro de algo que ele anseia viver: uma família.


Brilhantemente vivido em cena por Annette Bening e Julianne Moore, o casal vive uma história contada nesse longa com muito respeito. Além de um filme agradável, simpático e charmoso, Minhas Mães e Meu Pai vai, com ousadia e inteligência, explorando o caráter de seus personagens sem tentar levantar bandeira para qualquer causa. Aliás, duas palavras podem definir esse filme: Respeito e Família.


Os itens dramáticos não pegam a linha do apelativo e ainda despertam o espectador para olhar com respeito esse conceito “diferente” de família. Com um roteiro de bom ritmo, tanto para comédia quanto para drama, MINHAS MÃES E MEU PAI passa a ser um filme essencial. [por Rodolfo Domingos]

Burlesque

É previsível o apelo comercial de BURLESQUE, que, sem inocência, tem como protagonistas verdadeiras divas do POP, cujos papéis poderiam, sem nenhum problema, ser interpretados por outras atrizes.

De ponta a ponta, a trama de Burlesque usa e abusa de todos os clichês, da montagem das cenas a condução da história.


Como a parte principal de um musical é literalmente a música, Buslesque até que não faz feio. O clima cabaresco misturado a canções envolventes e bem arrumadas cativa o espectador principal do gênero.


Olhando por outro ângulo, algumas coisas do longa são incoerentes, como o desfecho da “canção inacabada” que não bate com o pré anunciado, e o detalhe do ano em que se passa a história, hora lembrando a década de 90, hora como os anos do início do século, época de disseminação desse estilo de show. Incrível há uma aparição muito curta do uso de tecnologias em cena.


Christina Aguilera, por sua bagagem musical, até que encaixa com o filme, mas Cher cai como uma caricatura de si própria, mal explorada e estranhamente dramática. Só o seu lado preocupada e reclamona fica à mostra. Apenas uma cena sua tem um êxito na satisfação do espectador, quando a veterana canta uma canção forte (mas infelizmente sem nenhuma relevância no geral).


Tenho também de ressaltar que as seqüências musicais podem soar repetitivas, já apenas uma não se passa dentro do “Burlesque Lounge”. Pra quem isso acontecer, vai também achar que o filme não passa de um jogo de holofotes e um grupo de canções.


Visualmente belo, mas por ora exagerado (pela variação do gosto do espectador), BURLESQUE não apresenta nada de novo, mas embala. Um típico filme que dividirá opiniões. 7.4 é uma nota válida, se eu tivesse de dar uma.
[por Rodolfo Domingos]

Deixe-me Entrar

Versão americana de um fabuloso filme sueco, DEIXE-ME ENTRAR foi programado para ser tão bom quanto o original, DEIXA ELA ENTRAR. Com imagens pálidas e imponentes, com aparições sanguíneas bem vampirescas, essa refilmagem atravessa os limites do suspense e vai parar num drama incrivelmente belo

Dois ótimos atores infantis foram escolhidos para os papéis principais (Kodi Smit McPhee e a revelação de “kick ass”, Cloe Moretz). Cloe (Abby) é muito precisa em seu papel, melancólico e digno de pena e Kodi (Owen) passa a verdadeira e delicada imagem da inocência frente a algo que pode transformar, pra melhor ou pra pior, a sua vida.


Temas como Bullyng, amor, amizade, família e vampiros são tratados com Inteligência. Com poucas e boas cenas pra lembrar um terror, LET ME IN toca fundo no coração do espectador do início ao fim. A trilha sonora é perfeita e deixa o filme ainda mais reluzente.


A trama por dentro das famílias das duas crianças chega a ser complexo, mas explorado com bastante cautela para que nada além de um verdadeiro e difícil amor possa ser o centro de todas as atenções.


Pra quem espera o gênero Suspense, deixo o aviso que vale mais como drama, mas é um filme FABULOSO pela sutileza e pela delicadeza! [por Rodolfo Domingos]

Apenas o Fim

Do diretor e roteirista Mateus Souza, iniciante nesse trabalho que foi feito pra faculdade, mas causou um burburinho em vários festivais, APENAS O FIM pode ser a esperança do cinema brasileiro pros próximos anos.

Trata-se de um filme barato e simples, mas de roteiro pop e inteligente, edição esperta e temos aí um bom cinema de diretor-autor. Inegavelmente uma comédia romântica, esse filme é diferente, de idéias frescas e lances que, agradavelmente, me lembram muito meu segundo filme favorito, “500 dias com Ela”. Brilhantemente triste, mas muito alto astral.


É o típico filme que eu adoraria ter feito. Quer um real bom espécime do cinema brasileiro? Assista, sem medo, APENAS O FIM. [Por Rodolfo Domingos]

Piranha

A refilmagem de um clássico B que, por sinal, eu não assisti, PIRANHA, que dessa vez veio em 3D pelos cinemas, acaba por ser um trash divertidíssimo. O filme e exagerado em carnificina, sangue, nudez e humor negro, o que pode desagradar os que preferem filmes mais coerentes com a realidade, mas pra quem só quer se divertir, PIRANHA é uma ótima pedida. Alguns momentos beiram o ridículo, e algumas reações de nojo são inevitáveis, mas garante risadas colossais.
[por Rodolfo Domingos]

O Poderoso Chefão - parte 2

Sombrio e intenso, a segunda e mais estonteante parte da épica trilogia, O PODEROSO CHEFÃO: PARTE 2 toca fundo nas conseqüências de atos impensados.

Michael Corleone, incrivelmente interpretado por Al Pacino, paga todos os seus pecados e eleva um filme a um patamar dramático muito forte. Ainda melhor planejado que a primeira parte, a trama bem construída ainda se dá ao luxo de contar a história do Don Corleone de Marlon Brando, causando um bom equilíbrio e quase que comparando o caráter entre o pai e o filho.


Um dos grandes filmes desse século, exuberante, magistral e de domínio de técnica nas mãos do diretor Francis Ford Coppola, O Poderoso chefão: parte 2 se coloca como um filme eterno. Mesmo sendo o filme que imortalizou a máfia, o filme é uma grande lição sobre o valor de um família, ainda que criminosa. [Por Rodolfo Domingos]

É Proibido Fumar

Um dos filmes mais elogiados dos últimos anos no Brasil, É PROIBIDO FUMAR me passou a impressão de que tudo não passou de marketing pesado.

Um filme fraco, eu diria. Todo o charme e inteligência em potencial são ofuscados por um roteiro de apressado e sem graça. A trama é crescente, ou seja, algo que vai evoluindo, nesse caso, para um desfecho de probabilidades ruins. Mas o tamanho econômico da fita explora pouco os bons momentos, e parece pular vários pontos que dariam uma liga melhor para o filme.


Bons atores como são Glória Pires e Paulo Miklos, não salvam o filme. Talvez isso explique o fiasco nas salas comerciais. [Por Rodolfo Domingos]

Ensina-me a Viver

Esse clássico que, eu diria, é bem ousado, é um Cult muito interessante. A típica história poucas vezes contada no cinema de um cara mais novo com uma mulher mais velha é feita aqui de uma forma inesperada, chegando ao extremo da exploração das faixas de idade e grandiosos momentos que comparam a vida e a morte.

Harold, um garoto nada ingênuo, apaixonado pela morte, que vive encenando para uma mãe despreocupada cenas de falsa morte, tem hábitos estranhos como freqüentar enterros, conhece e se apaixona por uma mulher apaixonada pela vida, mas que acredita que em poucos dias, quando chegar aos 80 anos, será uma boa hora para ir embora.


Daí tiramos boas doses de humor e de drama, contados numa história simpática cheia de personalidade. Como sempre reparando nessa parte, a trilha sonora composta exatamente para esse filme, o torna quase um musical, apesar de, em nenhum momento, o filme tratar temas musicais. Um clássico de tipo único que vale a pena ser assistido sempre! [por Rodolfo Domingos]

Sideways - Entre umas e Outras

Bem a cara do cinema independente norteamericano, SIDEWAYS é um filme bem bacana e interessante, com uma temática peculiar, Vinhos, muitas vezes confundidas pelos próprios personagens com simples bebedeiras.

Uma coisa que me chamou muita atenção nessa produção foi que, o que realmente deve ser contado como a trama, se passa nas entrelinhas do roteiro, que chama muita atenção para cidades produtoras de vinhos e a qualidade deles.


Um filme simples que recebeu a indicação ao Oscar de melhor filme, Sideways é uma comédia particular e bem feita. [por Rodolfo Domingos]

Eu te amo, Cara

Paul Rudd é desses caras que ganham a vida com filmes de comédia, e parece querer seguir o mesmo caminho de Adam Sandler. Mas pelo visto ainda tem muito o que aprender. EU TE AMO, CARA não é engraçado, mas incomoda por também não ser um filme ruim.

Visivelmente a trama renderia umas boas cenas de grandes risadas, mas não foi dessa vez. Talvez esse filme tenha tentado ser um tipo do ótimo “Eu os declaro marido e... Larry”. [Por Rodolfo Domingos]

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Desenrola

Que prazer é ver que as produções nacionais estão tomando um novo rumo. É o fim da era filmes Didi/Xuxa e o início de boa produções adolescentes. Num período muito curto tivemos “As Melhores coisas do Mundo”, um filme sensacional, e, agora, DESENROLA, da diretora que eu tive o prazer de conhecer numa sortuda sessão comercial em Petrópolis, Rosane Svartman. É um diretora de talento gracioso. Ela tem precisão e muito estilo em sua direção.
Aliás, estilo é o que não falta na produção que, além de muito alto astral, trata temas sérios com humor e inteligência. Os protagonistas adolescentes têm muito talento. A trilha sonora que atravessa décadas até parar na contemporânea Mallu Magalhães também brilha no filme.

Bons toques na edição, também na fotografia, o filme é divertido, engraçado, alegre, uma pedida excelente pra todos os adolescentes.

[Por Rodolfo Domingos]

Casablanca

Celebrado como um dos filmes mais queridos de Hollywood em todos os tempos, Casablanca é o cinema de massa, redondo a antecessor de tudo que hoje é clichê e forma de aborrecer a crítica.

Mas ainda assim é, de fato, uma produção charmosa, principalmente por se passar numa cidade construída em um deserto africano, esse, por sinal, muito bem retratado pela direção de arte, que jamais saiu dos estúdios da Warner durante as gravações.

A direção precisa e delicada, a trama que mistura romance com clima de guerra, a bela fotografia e a trilha sonora cativante o tornam um filme imortal. Leve também em conta que os atores do longa foram grandes astros que realmente se dedicaram em seus papéis, precisos e intrigantes, no melhor sentido, sempre.

Casablanca, no gênero de romance, é, sem dúvida, um dos meus filmes favoritos. Ainda que seja dos primórdios, a boa direção de Michael Curtiz me ensina muito em cinema!
[por Rodolfo Domingos]

O Planeta dos Macacos

Entretenimento e crítica. São duas palavras que definem bem esse clássico, que não é nenhum grande marco no quesito Cinema, mas emplacou e tem uma mensagem sobre respeitar o diferente muito bem tratada.
Se a canhestra refilmagem de Tim Burton era esquisita e repleta de efeitos visuais que em nada lembram esse, PLANETA DOS MACACOS é manso e conta melhor uma boa história. que, pra minha surpresa, resultaria num final que me deixou bem impressionado, demonstrando que essa era uma história bem original, bem diferente dos blockbusters dos dias de hoje, em que todos caminham para a mesma coisa.

A maquilagem, mesmo em modernos padrões antigos, convence bem e passam a emoção devida de cada personagem. A pouca utilização de efeitos especiais e somado a bucólica paisagem desse ‘planeta’ toda construída à mão dão estilo e graciosidade à fita. Apesar de a trama ser meio confusa no começo, as coisas vão se ajeitando ao longo da história e no final, você assistiu a um bom filme.

[por Rodolfo Domingos]

Sobre Meninos e Lobos

Esse é um drama duro e maciço de Clint Eastwood, que coloca seus seres humanos à prova. A trama é bem construída, cheia de detalhes interessantes, e é certo desafio para o espectador. É bem interpretado por seus atores em papéis difíceis, mas que soma um filme ótimo, de direção impecável, fotografia e trilha sonora bem acabados, utilizados com inteligência.

Apenas um momento na trama parece apressado e sem sentido, na hora em que descobrimos a grande verdade da trama. Não desce muito bem quando dá a entender que foi uma solução de última hora. Mas levemos em conta a carreira de Eastwood e podemos coroar SOBRE MENINOS E LOBOS como um de seus melhores, ao menos nessa década.


[por Rodolfo Domingos]

Coisas de Meninos e Meninas

Apesar de ter dados boas risadas desse filme, o conjunto da obra não é bom. Obviamente as risadas chegam a ser de momentos ridículos. E a trama todo mundo já viu: troca de corpos (qualquer semelhança com “Sexta Feira Muito Louca” ou “Se eu fosse você” pode não ser mera coincidência), só que dessa vez com um casal “sem carisma” adolescente.

Mas o que é mais irritante nessa produção é sua ambigüidade, ora querendo pagar de filme teen, ora querendo ser só mais um American Pie. Os atores são ruins, a criatividade do roteiro é escassa, é tudo que todo mundo já assistiu em outros filmes... Enfim, dá pra passar sem.


[por Rodolfo Domingos]

Seu Amor, Meu Destino

Mais um, mais um... só mais um filme romântico com final previsível. E malfeito.

A trama se desenrola muito rápido, soando forçado o tempo todo, os momentos de emoção são genéricos, e soa tosco demais. Que protagonistas mais sem sal. Efeito placebo, eu diria. Se você chorar, pode contar que está muito mal do coração.


E, olha que coincidência... será que eu já não vi essa mesma história em “Um Amor para Recordar”?


[por Rodolfo Domingos]