Este filme coletivo, nada convencional – ainda menos que seu sucessor, “Nova York, Eu te amo” – deslumbra a elegante, charmosa e apaixonante Paris num desfile de grandes talentos do cinema em grandes momentos, prazerosos e sem excessos. Aqui temos de Wes Craven (sim, o cara que fez “Pânico”) aos Irmãos Coen, até o brasileiro Walter Salles e o engajado Gus Van Sant. Entre outros bons, claro. A idéia do projeto é filmar pequenas histórias de amor em grandes cidades (o próximo será no Rio de Janeiro) e acaba dando muito certo. Não é um filme comum, é pontuado e com momentos que não se ligam um no outro – só mesmo por estarem todos em Paris. De cara pode desagradar aos mais acostumados com as ideias mais redondas e clichês, mas quando paramos para assisti-lo, é um filme infinitamente original, criativo e que nos dá uma sensação de paz e harmonia impagáveis.
Alguns diretores (infelizmente), como Salles, não souberam aproveitar muito bem a chance. No caso da história dele algumas coisas não têm a mínima graça e carisma, sendo até de sentidos subjetivos. Gus Van Sant também não conseguiu ir muito longe, ficando apenas na promessa, num contexto respeitosamente homossexual. Nem mesmo os irmãos Coen ficam por cima, numa história mais cômica que parece não combinar com o filme.
Mas o real valor do filme fica com todo o resto. Ótimos roteiristas e estupendos diretores caem na graça esbanjando formas novas de contar histórias, formas pulsantes e e com toques especiais de emoção.
Dou destaque, e não deixe de reparar, Às tramas dos mímicos e às dos (o que me surpreendeu maravilhosamente) vampiros.
Um filme verdadeiramente FABULOSO. [por Rodolfo Domingos]
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