sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oscar 2012: erros e acertos.


O Oscar de 2012 foi de muita
discussão, alguns ótimos filmes desprezados, como “Melancolia”, “A Pele que
Habito”, “Drive” e “Precisamos Falar sobre o Kevin” perderam espaço para filmes
pouco expressivos como o indicado a melhor filme “O Homem que Mudou o Jogo”. Ou
seja, a não ser pela ousadia de um filme mudo e em preto e branco, a 84ª edição
da premiação da Academia de Cinema de Hollywood pouco será lembrada. E por isso
mesmo é quase um erro não dar a estatueta máxima ao longa O ARTISTA, de Michel
Hazanavicius.

Mas
isso não quer dizer que os outros oito filmes indicados não mereçam a
indicação. Três deles realmente surpreendem: HISTÓRIAS CRUZADAS dá a cara a
tapa pra discutir uma era de preconceitos raciais fortíssima com um elenco de
rara química e um roteiro capaz de fazer rir e chorar. A ÁRVORE DA VIDA é algo
na linha do que fez Stanley Kubrick com “2001, Uma Odisseia no Espaço”, numa
mistura de elementos visuais de rara beleza unidos a fim de criar filosofias de
espaço-tempo. Mesmo se você não entender o filme, há de convir que ele é
exuberante, esplendoroso. E também A INVENÇÃO DE HUGO CABRET, que narra de
forma simples os primórdios do cinema com tanta paixão impressa na direção
pouco usual de Scorsese que é de aplaudir de pé, principalmente pelos aficionados
amantes da sétima arte.

Mas
então temos também o que a crítica chama de ‘segundo favorito’, OS
DESCENDENTES, do ótimo roteirista (e não tão impactante diretor) Alexader
Payne, responsável pela indicação de melhor filme do insosso “Sideways – entre
umas e outras”, de 2004. OS DESCENDENTES é uma história que soa muito natural e
honesta na tela, sem parecer tentativa de contar uma história real (o que não
é, mas poderia ser) cheia dos truques de emoção que fisgam os espectadores sem
que ele se dê conta do ilusionismo. É simples, comovente em seu estilo e uma
rara oportunidade de ver George Clooney ‘desarrumado’ e desajustado.
Por fim temos MEIA-NOITE EM PARIS, um triunfo de
Woody Allen se comparado à sua safra dos últimos sete anos, um filme cheio de
saudosismo e brilhantismo artístico. Um filme adorável, mas que merece mais
lugar no coração dos fãs de arte e de Allen (inclusive no meu) do que numa
competição voraz e muitas vezes injusta como o Oscar; CAVALO DE GUERRA que é o
“efeito Spielberg” dessa edição (ou vocês nunca repararam que todo filme de
guerra do cara leva indicação a melhor filme?), belo, sim, mas repetitivo,
tendo como principal qualidade os coadjuvantes que carregam papéis que dão liga
à trama, compensando a falta de um protagonista que vestisse mais a camisa do
filme; TÃO FORTE E TÃO PERTO, que é o bom filme de Stephen Daldry de sempre, o
drama de situação difícil para um ser-humano, mas contado com tom de conto de
fada; E, como eu já disse, O HOMEM QUE MUDOU O JOGO, que ‘não fede nem cheira’
nem na competição, nem no mundo do cinema no geral.

PS.: Quero declarar minha
indignação com a academia de não indicar Brad Pitt por A ÁRVORE DA VIDA (que
com certeza foi um papel mais difícil de encarnar), mas sim por O HOMEM QUE
MUDOU O JOGO.

PS.2:
Minha segunda revolta vai para a não indicação de duas grades atrizes em dois
enormes papéis: Kirsten Dunst em “Melancolia” e Tilda Swinton em “Precisamos
Falar Sobre o Kevin”. Parece que este ano eles estão determinados a dar o prêmio
a Meryl Streep, que merece, sim, mas é óbvio que eles sabem que as duas atrizes
que eu mencionei iam ‘brigar’ à altura de Meryl.
RODOLFO
DOMINGOS, fotógrafo, cineasta e crítico de cinema.

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